Ensinar via cursos online vira opção entre professores que querem evitar estresse extremo

A carreira docente é uma das mais prejudicadas pelo esgotamento profissional e suas consequências, mas plataformas de EdTech aparecem como solução

Na era da informação e da pressa, o estresse faz parte das nossas rotinas. Embora isso esteja presente em diferentes profissões, a carreira docente é uma das que concentra os maiores índices de esgotamento profissional, o chamado “burnout” – termo em inglês que surgiu na década de 1970 nos Estados Unidos para designar o estresse relacionado ao trabalho extremo categorizado por exaustão emocional, psicológica e física.

O contexto brasileiro não é nada diferente: um estudo realizado pela Associação Nova Escola em 2018 constatou que, no país, 66% dos professores já precisaram se afastar por problemas de saúde, sendo que 87% dos docentes entrevistados acreditam que o problema é ocasionado ou intensificado pelo trabalho excessivo. Entre os problemas que aparecem com maior frequência então a ansiedade, que afeta 68% dos educadores, e o estresse, que atinge 63% dos profissionais. Além disso, 28% deles afirmaram que sofrem ou já sofreram de depressão.

A falta de infraestrutura, o excesso de alunos por sala de aula, a jornada dupla, a falta de segurança nas escolas e a má remuneração são os principais fatores que contribuem para a desestimulação dos profissionais e, consequentemente, para a desvalorização da carreira – aspectos também trazem efeitos de longo prazo e prejudicam o processo de ensino e aprendizagem. Geralmente, docentes mais velhos são os que mais sofrem, aponta a pesquisa.

Aqueles que estão sofrendo deste estresse proveniente de esgotamento profissional devem tentar se reenergizar, engajando-se socialmente e tirando uma folga do trabalho, entre outras estratégias, sejam de autoajuda ou com acompanhamento psicológico. Em resumo, é preciso tirar o pé do acelerador e descansar. Mas… e se fosse possível fazer isso sem deixar de lado a profissão e o lucro de tal função? Foi o que professores que se tornaram instrutores exclusivos de plataformas de EdTech fizeram, ao ver nos cursos online uma alternativa menos estressante e tão recompensadora quanto.

É o que diz Pilar Sanchez Albaladejo, instrutora na Udemy desde 2015, onde acumula quase 33 mil alunos ao longo de nove cursos: “Depois de tantos anos trabalhando com hora para entrar mas sem hora para sair, achei que seria uma boa opção mudar de vida. Claro que dá medo fazer uma transição dessas, mas a liberdade de poder criar sua própria história não tem preço. O fator que mais me motivou foi querer ter mais controle sobre a minha vida. Já estava cansada de viver para trabalhar. Agora trabalho para viver”, ela afirma.

Pilar conta que teve que abrir mão de alguns ‘luxos’ no começo desta transição, mas com a dedicação em tempo integral, e conforme foi gerando mais conteúdo, foi melhorando o ‘salário’ e agora posso viver relativamente tranquila. “Digo ‘relativamente’ pois não é só criar o curso e achar que vai viver disso sem trabalhar mais – todo dia estou gerando novos conteúdos, revisando materiais, procurando novas formas de melhorar as vídeoaulas, etc.”, ela acrescenta.

Pilar, que é natural de São Paulo, encerrou recentemente um período que ela mesmo definiu como um de nômade digital e que não teria sido possível na carreira docente tradicional. No último mês de março, ela decidiu passar uma temporada na Espanha, para fazer alguns cursos e conhecer novos lugares – e tudo sem deixar de trabalhar! “Criei conteúdo para mais dois cursos e ainda mantive contato com os alunos, respondendo perguntas e dando suporte às dúvidas”, afirma.

fonte:
https://administradores.com.br/artigos/ensinar-via-cursos-online-vira-op%C3%A7%C3%A3o-entre-professores-que-querem-evitar-estresse-extremo